Hispânicos são comunidade que mais cuida de idosos nos EUA

Raquel Godos.

Washington, 13 out (EFE).- Cuidar bem de um ente querido que está nos últimos anos de vida é algo que a comunidade hispânica dos Estados Unidos faz mais do que qualquer outra no país, um trabalho que é mostrado em um recente documentário.

“Cada Passo no Caminho” conta a história do apresentador e ativista mexicano Marco Antonio Regil. O longo periodo cuidando de sua mãe, vítima de Alzheimer, é uma das principais motivações do filme, promovido pela Associação Americana de Pessoas Aposentadas (AARP, na sigla em inglês) e que estreará nesta semana.

“O filme é uma maneira de dizer a todos que estão passando pelo mesmo que eles não estão sós. Além disso, é uma maneira de educar para aprender a cuidar de quem amamos de um modo melhor”, disse Regil em entrevista à Agência Efe.

“A primeira coisa que eu tinha que superar é a falta de informação. Eu não tinha nem a menor ideia de que minha mãe, que tinha lá seus problemas articulares, poderia sofrer algo assim. Não sabia que ela podia ter um problema mental aos 60 e poucos anos”, explica o ativista sobre o diagnóstico da mãe, Irma Sánchez, que morreu em janeiro.

“Eu discutia com minha mãe, pensava que meu trabalho era corrigi-la. Demorei anos a entender que tinha que deixar de discutir com ela, até que consegui ajuda especializada”, revelou.

O popular jornalista mexicano narrou os últimos dias da doença da mãe através das redes sociais, mas lembra que, nos primeiros momentos da doença, se equivocou na hora de cuidar dela.

Regil tratou de cobrir todas as despesas para que sua mãe vivesse com seu irmão e família. No entanto, a boa intenção de tê-la rodeada pela alegria dos sobrinhos se tornou em um tormento para ela, que, na verdade, só queria a tranquilidade.

O jornalista explica que, no seu caso, a melhor opção foi buscar um local especializado para atendê-la, onde ela pudesse realizar atividades coerentes com suas necessidades, sendo visitada pela família sempre que quisesse. No entanto, Regil sabe que cada pessoa requer cuidados diferentes.

“Tive que deixar de me sentir culpado, deixar de ser o pai da minha própria mãe e entender que não estava agindo mal ao levá-la a uma casa de cuidado. Pelo contrário. E assim eu pude voltar a ser o filho dela”, revelou Regil.

Em um país com 40 milhões de pessoas atuando como “cuidadores”, 21% deles são latinos. A comunidade representa, contudo, apenas 17% da população total do país, segundo a AARP. Por isso, os hispânicos investem 44% de sua renda nesse tipo de trabalho.

“Somos duas culturas muito diferentes. Nós temos mais na nossa cultura que família é família e você cuida dela. Os latinos nunca pensarão que seus pais são problema do governo”, defende Regil.

“Na nossa cultura há coisas excelentes. O mais importante é esse sentido de comunidade. De nos abraçarmos, de queremos uns aos outros”, destacou o jornalista.

Para Regil, os hispânicos estão mais dispostos a investir dinheiro e o tempo nas pessoas mais velhas. “Os EUA têm uma cultura mais individualista, na qual as pessoas têm que trabalhar muito mais para sobreviver”, explicou.

“Acredito que é parte da nossa cultura, nos parece normal, lógico, investir nas pessoas que investiram em nós. No entanto, digo aos irmãos latinos: busquem informação”, destacou Regil. EFE

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